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ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS
Etimologicamente “Yug”,
do sânscrito, significa “união”. Para o Vedanta, uma escola filosófica
hindu, o termo Yoga é freqüentemente explicado como a união entre o eu
individual e o Si mesmo transcendental. Já no Mahabharata, clássico
hindu, o Yoga é definido como “equanimidade” ou “regularidade”. É uma
palavra que pode ser aplicada a muitas coisas, mas está sempre associada
à união do corpo, mente e emoções.
É uma palavra que tem sua origem no Sânscrito,
Yoga, escrita com “Y”, do gênero masculino, sem acento.
Na mitologia Hindu o universo existe a partir
das divindades Brahma (o criador), Vishnu (o conservador) e Shiva (o destruidor-renovador).
As primeiras lendas sobre Shiva datam de 4.000 AC. Ele é representado
com muitos nomes, imagens e atributos, e é considerado o criador do Yoga.
Sinetes encontrados nas ruínas de Mohenjo-Daro e Harappa mostram cenas
de possíveis divindades sentadas em posição de lótus, em meditação, que
supostamente seria a representação de Shiva.
Surgiu há aproximadamente
cinco mil anos, na Índia, como um modo de vida.
Estima-se que os Sutras existam desde 5.000
AC a 300 DC e que em aproximadamente 150 DC foi sistematizado, por Patáñjali,
um gramático e filósofo que possuía um alto status na sociedade hindu
da época e teria compilado as idéias e práticas já existentes.
Nos aproximadamente 195 versos que compõem
o Yoga Sutra, Ptáñjali fez uma sistematização de textos sobre o Yoga,
até então transmitidos oralmente de geração para geração, e possibilitou
que ele fosse aceito como um Dárshana, uma escola filosófica, fazendo
parte de um dos pontos de vista do hinduísmo. É composto
num estilo literário de textos sintéticos, com frases curtas e telegráficas,
sem palavras supérfluas. Etimologicamente Sutra quer dizer “fio condutor”.
A primeira parte
do Sutra trata da contemplação (Samadhi Pada), que apresenta a
teoria do Yoga e a descrição dos mais avançados estágios da prática do
samadhi ou contemplação. A segunda parte
que trata da prática (Sadhana Pada) também trata de filosofia,
mas de forma mais prática. Os cinco primeiros passos das tradicionais
oito partes do Raja Yoga são expostos nesta parte, juntamente com seus
benefícios, obstáculos para a sua obtenção e os meios de transpor tais
obstáculos. A terceira parte
é conhecida como a parte que trata da realização (Vibhuti Pada)
e discute os três passos finais do Raja Yoga, além de todos os poderes
e conquistas que podem ocorrer ao praticante sincero. A quarta e última parte
trata do Absoluto (Kaivalya Pada) e discute o Yoga de um ponto
de vista mais cósmico e filosófico.
No século IX DC o mestre
Goraksanatha desenvolveu a técnica do Hatha Yoga. Hatha significa “esforço
extremo”, mas também deriva das sílabas ha,
sol, e tha, lua, integrando
as forças solar e lunar, masculina e feminina, para o despertar da potencialidade
humana, que é o objetivo do Yoga. O texto mais importante
é o Pradipika, que significa Luz brilhante e também explicação, comentário,
que condiz com seu conteúdo, composto em quatro capítulos e um total de
389 versos. Segundo a tradição, o Pradipika foi baseado no Hatha de Goraksanatha
e explica os métodos que ele utiliza para conduzir o adepto ao estado
de união transcendental do Yoga, integrando disciplinas fisiológicas do
Hatha às práticas contemplativas do Raja Yoga. O autor do Pradipika, Svatmarama,
parece ter vivido no século XIV
de nossa era e o Hatha se tornou muito popular no período medieval, entre
os séculos IX e XVI. Os ásanas possuem geralmente
nomes de animais selvagens, pois surgiram da observação comportamental
dos mesmos. Segundo a tradição, existem 84 posturas básicas com mil variantes
possíveis para cada uma, totalizando o número de 84.000 possíveis posições
do corpo humano.
Bryan Kest é americano
e foi ele quem adotou pela primeira vez o nome “Power Yoga”, numa referência
ao poder interior de despertar a consciência. Mas continua sendo um Yoga
indiano, pois é essa a origem do Yoga, só que adaptado por Kest para atender
a diferentes níveis das pessoas, mas baseado no Hatha Yoga e no Ashtanga
Yoga. Este último estilo Kest praticou com Pattabhi Jois, que o tornou
popular a partir de 1962.
Pattabhi Jois é o mestre
do Ashtanga Vinyása Yoga e seu mestre foi Krishnamacharya.
B.K.S. Iyengar nasceu em 1918 e começou a
praticar Yoga aos 16 anos, com seu cunhado, o mestre Krishnamacharya.
Aos 18 anos foi enviado por este à Puna, para ensinar Yoga, e continuou
aprendendo através de sua prática pessoal e se tornou hoje um dos mestres
mais conhecidos na Índia e no ocidente. Seu trabalho é caracterizado pelo
alinhamento minucioso das várias partes do corpo em cada posição, além
dos instrumentos e adaptações criadas por Iyengar para facilitar as posições
para pessoas com restrições físicas.
No Power Yoga é menor o
uso de Vinyásas (movimento com respiração) entre os ásanas. As seis séries de ásanas que compõem
o Ashtanga são fixas, enquanto no Power Yoga o instrutor monta as séries
livremente, temáticas ou balanceadas. Quanto a frequência, o Ashtanga
prevê a prática em seis dias da
semana, enquanto no Power a prática ocorre de três a seis vezes por semana. O relax no Ashtanga é sem indução e
sem música, e no Power Yoga pode haver a indução e música.
A palavra Ashtanga significa literalmente
“oito membros” ou “etapas” que são os caminhos - reconhecidos por todas
as correntes do Yoga – para se atingir o objetivo último do Yoga, a oitava
etapa, o samádhi, a iluminação. 1ª Etapa: YAMA: os
5 “nãos”: Ahimsa (não agredir); Satya (não mentir); Asteya (não roubar);
Brahmacharya (não dissipar a sexualidade); Aparigraha (não possessividade). 2ª Etapa: NIYAMA:
os 5 “Sims”: Saucha (pureza, limpeza); Santosha (contentamento); Tapas
(auto-superação); Svádhyána (auto-estudo); Ishvara-Pranidhána (entrega
ao Senhor). 3ª Etapa: ÁSANA: posição
firme e confortável. 4ª Etapa: PRÁNÁYÁMA:
o controle da inspiração e expiração proporciona uma mudança no fluxo
energético e capacidades adormecidas no cérebro e estados expandidos de
consciência são ativados. 5ª Etapa: PRATYAHARA:
a abstração dos sentidos, não dar atenção a eles. 6ª Etapa: DHÁRANA: a
concentração, mantendo a consciência em uma área delimitada. 7ª Etapa: DHYÁNA: a
meditação, quando a mente se identifica com o objeto da concentração. 8ª Etapa: SAMÁDHI:
a iluminação ou hiperconsciência, quando a consciência assume a própria
natureza do objeto em que se medita e esvazia-se de seu conteúdo. 13. Quais os efeitos do Ujjayi Na respiração Ujjayi os pulmões são completamente
expandidos, dilatando o tórax como um conquistador vitorioso. Aquece o
corpo, oxigena os pulmões, remove fluídos, dá resistência, acalma os nervos
e tonifica todo o organismo, ajuda a aliviar a insônia, a manter a pressão
sanguínea sob controle, diminui os batimentos cardíacos, elimina as toxinas
dos tecidos em função do aumento do calor. Treinando a respiração Ujjayi: primeiro fazemos
uma inspiração profunda e soltamos o ar pela boca fazendo um som suave
de “hhaaa”, sem usar as cordas vocais, como se estivesse ressonando, o
ar raspando na glote, e em seguida fechando os lábios, inspirando e expirando
pelas narinas com a garganta um pouco fechada, na mesma posição, ouvindo
o som do mantra da nossa respiração. Pode ser feito a qualquer hora do dia e em diversas
posições. 14. Qual a importância
do ritmo nos pránáyámas? Através do ritmo das respirações é possível
influenciar os estados mentais. 15. Qual a
função do Jñana Mudrá? O Jñana Mudrá quer dizer “o gesto que outorga
o conhecimento”. É feito através da união das pontas dos indicadores e
dos polegares, que simboliza respectivamente a união da alma individual
com a alma universal, o símbolo da sabedoria. A palavra Mantra significa “instrumento da mente”
ou “o que protege a mente”. Os sons emitidos num Mantra - com ou sem acompanhamento
de instrumentos sonoros – criam um campo vibracional e possuem uma capacidade
imensa de condicionar a consciência, movendo a mente e o coração, influenciando-os
e reprogramando-os, se tornando um importante instrumento terapêutico
para curar a mente. Os primeiros Mantras foram ouvidos pelos Rishis,
sábios videntes que em estado de samadhi os ouviram e depois os reproduziram,
para que possamos repeti-los e atingir os estados mentais em que foram
originados. Nem sempre o Mantra
possui um significado claro, pode ser composto por sílabas cujo poder
reside em seu som. 17. Qual o
significado do mantra “OM”? Significa o som primordial do universo e é o
mantra mais antigo de todos, repetido há mais de 5.000 anos. Foi percebido
pelos mestres da antiguidade quando meditavam no silêncio e ouviram essa
vibração permeando todo o universo, originando todos os demais sons. Vocalizá-lo
promove sensações de energização, de clareza mental, ativando os chakras
e abrindo-nos para todas as energias positivas do universo. Também desperta
o Prana, força vital, e revitaliza todas as nossas células, que reverberam
com esse som.
18. Por que a prática constante (sádhana) é tão importante? Por que a prática constante não é só o estudo teórico dos textos do yoga,
mas sim um esforço espiritual, que é o segredo do sucesso. É através dos
esforços coordenados e concentrados do corpo, dos sentidos, da mente,
da razão e do EU que uma pessoa obtém o prêmio da paz interior e satisfaz
o anseio da alma por seu Criador. Informações resumidas
por Jussara Rodrigues, extraídas dos livros: A Tradição do Yoga – Georg
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