ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS

  1. O que significa a palavra “Yoga”?

Etimologicamente “Yug”, do sânscrito, significa “união”. Para o Vedanta, uma escola filosófica hindu, o termo Yoga é freqüentemente explicado como a união entre o eu individual e o Si mesmo transcendental.

Já no Mahabharata, clássico hindu, o Yoga é definido como “equanimidade” ou “regularidade”. É uma palavra que pode ser aplicada a muitas coisas, mas está sempre associada à união do corpo, mente e emoções.

  1. Essa palavra se escreve com “i” ou com “Y”? Com ou sem acento? É masculina ou feminina?

É uma palavra que tem sua origem no Sânscrito, Yoga, escrita com “Y”, do gênero masculino, sem acento.

  1. Quem é Shiva e o que ele representa para o Yoga?

Na mitologia Hindu o universo existe a partir das divindades Brahma (o criador), Vishnu (o conservador) e Shiva (o destruidor-renovador). As primeiras lendas sobre Shiva datam de 4.000 AC. Ele é representado com muitos nomes, imagens e atributos, e é considerado o criador do Yoga. Sinetes encontrados nas ruínas de Mohenjo-Daro e Harappa mostram cenas de possíveis divindades sentadas em posição de lótus, em meditação, que supostamente seria a representação de Shiva.

  1. Quando e onde surgiu o Yoga?

Surgiu há aproximadamente cinco mil anos, na Índia, como um modo de vida.

  1. Quando foi composto os Yoga Sutra? Quem foi seu autor?

Estima-se que os Sutras existam desde 5.000 AC a 300 DC e que em aproximadamente 150 DC foi sistematizado, por Patáñjali, um gramático e filósofo que possuía um alto status na sociedade hindu da época e teria compilado as idéias e práticas já existentes.

  1. Qual a importância dos Yoga Sutra para o Yoga? Quais suas características?

Nos aproximadamente 195 versos que compõem o Yoga Sutra, Ptáñjali fez uma sistematização de textos sobre o Yoga, até então transmitidos oralmente de geração para geração, e possibilitou que ele fosse aceito como um Dárshana, uma escola filosófica, fazendo parte de um dos pontos de vista do hinduísmo.

É composto num estilo literário de textos sintéticos, com frases curtas e telegráficas, sem palavras supérfluas. Etimologicamente Sutra quer dizer “fio condutor”.

A primeira parte do Sutra trata da contemplação (Samadhi Pada), que apresenta a teoria do Yoga e a descrição dos mais avançados estágios da prática do samadhi ou contemplação.

A segunda parte que trata da prática (Sadhana Pada) também trata de filosofia, mas de forma mais prática. Os cinco primeiros passos das tradicionais oito partes do Raja Yoga são expostos nesta parte, juntamente com seus benefícios, obstáculos para a sua obtenção e os meios de transpor tais obstáculos.

A terceira parte é conhecida como a parte que trata da realização (Vibhuti Pada) e discute os três passos finais do Raja Yoga, além de todos os poderes e conquistas que podem ocorrer ao praticante sincero.

A quarta e última parte trata do Absoluto (Kaivalya Pada) e discute o Yoga de um ponto de vista mais cósmico e filosófico.

  1. Quando surgiu o Hatha Yoga?

No século IX DC o mestre Goraksanatha desenvolveu a técnica do Hatha Yoga. Hatha significa “esforço extremo”, mas também deriva das sílabas ha, sol, e tha, lua, integrando as forças solar e lunar, masculina e feminina, para o despertar da potencialidade humana, que é o objetivo do Yoga.

O texto mais importante é o Pradipika, que significa Luz brilhante e também explicação, comentário, que condiz com seu conteúdo, composto em quatro capítulos e um total de 389 versos. Segundo a tradição, o Pradipika foi baseado no Hatha de Goraksanatha e explica os métodos que ele utiliza para conduzir o adepto ao estado de união transcendental do Yoga, integrando disciplinas fisiológicas do Hatha às práticas contemplativas do Raja Yoga. O autor do Pradipika, Svatmarama, parece  ter vivido no século XIV de nossa era e o Hatha se tornou muito popular no período medieval, entre os séculos IX e XVI.

Os ásanas possuem geralmente nomes de animais selvagens, pois surgiram da observação comportamental dos mesmos. Segundo a tradição, existem 84 posturas básicas com mil variantes possíveis para cada uma, totalizando o número de 84.000 possíveis posições do corpo humano.

  1. O que é o Power Yoga? Ele é indiano ou americano?

Bryan Kest é americano e foi ele quem adotou pela primeira vez o nome “Power Yoga”, numa referência ao poder interior de despertar a consciência. Mas continua sendo um Yoga indiano, pois é essa a origem do Yoga, só que adaptado por Kest para atender a diferentes níveis das pessoas, mas baseado no Hatha Yoga e no Ashtanga Yoga. Este último estilo Kest praticou com Pattabhi Jois, que o tornou popular a partir de 1962.

  1. Quem é o mestre do Ashtanga Vinyása Yoga? Quem foi o mestre dele?

Pattabhi Jois é o mestre do Ashtanga Vinyása Yoga e seu mestre foi Krishnamacharya.

  1. Quem é B.K.S. Iyengar? Quem foi o mestre dele?

B.K.S. Iyengar nasceu em 1918 e começou a praticar Yoga aos 16 anos, com seu cunhado, o mestre Krishnamacharya. Aos 18 anos foi enviado por este à Puna, para ensinar Yoga, e continuou aprendendo através de sua prática pessoal e se tornou hoje um dos mestres mais conhecidos na Índia e no ocidente. Seu trabalho é caracterizado pelo alinhamento minucioso das várias partes do corpo em cada posição, além dos instrumentos e adaptações criadas por Iyengar para facilitar as posições para pessoas com restrições físicas.

  1. Quais as diferenças básicas entre o Power Yoga e o Ashtanga Vinyása Yoga?

No Power Yoga é menor o uso de Vinyásas (movimento com respiração) entre os ásanas.  As seis séries de ásanas que compõem o Ashtanga são fixas, enquanto no Power Yoga o instrutor monta as séries livremente, temáticas ou balanceadas. Quanto a frequência, o Ashtanga prevê  a prática em seis dias da semana, enquanto no Power a prática ocorre de três a seis vezes por semana.  O relax no Ashtanga é sem indução e sem música, e no Power Yoga pode haver a indução e música.

  1. Quais são as oito etapas do Ashtanga Yoga ou o Yoga de Patáñjali?

A palavra Ashtanga significa literalmente “oito membros” ou “etapas” que são os caminhos - reconhecidos por todas as correntes do Yoga – para se atingir o objetivo último do Yoga, a oitava etapa, o samádhi, a iluminação.

1ª Etapa: YAMA: os 5 “nãos”: Ahimsa (não agredir); Satya (não mentir); Asteya (não roubar); Brahmacharya (não dissipar a sexualidade); Aparigraha (não possessividade).

2ª Etapa: NIYAMA: os 5 “Sims”: Saucha (pureza, limpeza); Santosha (contentamento); Tapas (auto-superação); Svádhyána (auto-estudo); Ishvara-Pranidhána (entrega ao Senhor).

3ª Etapa: ÁSANA: posição firme e confortável.

4ª Etapa: PRÁNÁYÁMA: o controle da inspiração e expiração proporciona uma mudança no fluxo energético e capacidades adormecidas no cérebro e estados expandidos de consciência são ativados.

5ª Etapa: PRATYAHARA: a abstração dos sentidos, não dar atenção a eles.

6ª Etapa: DHÁRANA: a concentração, mantendo a consciência em uma área delimitada.

7ª Etapa: DHYÁNA: a meditação, quando a mente se identifica com o objeto da concentração.

8ª Etapa: SAMÁDHI: a iluminação ou hiperconsciência, quando a consciência assume a própria natureza do objeto em que se medita e esvazia-se de seu conteúdo.

13. Quais os efeitos do Ujjayi

Na respiração Ujjayi os pulmões são completamente expandidos, dilatando o tórax como um conquistador vitorioso. Aquece o corpo, oxigena os pulmões, remove fluídos, dá resistência, acalma os nervos e tonifica todo o organismo, ajuda a aliviar a insônia, a manter a pressão sanguínea sob controle, diminui os batimentos cardíacos, elimina as toxinas dos tecidos em função do aumento do calor.

Treinando a respiração Ujjayi: primeiro fazemos uma inspiração profunda e soltamos o ar pela boca fazendo um som suave de “hhaaa”, sem usar as cordas vocais, como se estivesse ressonando, o ar raspando na glote, e em seguida fechando os lábios, inspirando e expirando pelas narinas com a garganta um pouco fechada, na mesma posição, ouvindo o som do mantra da nossa respiração.

Pode ser feito a qualquer hora do dia e em diversas posições.

14. Qual a importância do ritmo nos pránáyámas?

Através do ritmo das respirações é possível influenciar os estados mentais.

15. Qual a função do Jñana Mudrá?

O Jñana Mudrá quer dizer “o gesto que outorga o conhecimento”. É feito através da união das pontas dos indicadores e dos polegares, que simboliza respectivamente a união da alma individual com a alma universal, o símbolo da sabedoria.

16 .O que é Mantra ?

A palavra Mantra significa “instrumento da mente” ou “o que protege a mente”.

Os sons emitidos num Mantra - com ou sem acompanhamento de instrumentos sonoros – criam um campo vibracional e possuem uma capacidade imensa de condicionar a consciência, movendo a mente e o coração, influenciando-os e reprogramando-os, se tornando um importante instrumento terapêutico para curar a mente.

Os primeiros Mantras foram ouvidos pelos Rishis, sábios videntes que em estado de samadhi os ouviram e depois os reproduziram, para que possamos repeti-los e atingir os estados mentais em que foram originados. Nem sempre o  Mantra possui um significado claro, pode ser composto por sílabas cujo poder reside em seu som.

17. Qual o significado do mantra “OM”?

Significa o som primordial do universo e é o mantra mais antigo de todos, repetido há mais de 5.000 anos. Foi percebido pelos mestres da antiguidade quando meditavam no silêncio e ouviram essa vibração permeando todo o universo, originando todos os demais sons. Vocalizá-lo promove sensações de energização, de clareza mental, ativando os chakras e abrindo-nos para todas as energias positivas do universo. Também desperta o Prana, força vital, e revitaliza todas as nossas células, que reverberam com esse som.

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símbolo gráfico de "OM"

18. Por que a prática constante (sádhana) é tão importante?

Por que a prática constante não é só o estudo teórico dos textos do yoga, mas sim um esforço espiritual, que é o segredo do sucesso. É através dos esforços coordenados e concentrados do corpo, dos sentidos, da mente, da razão e do EU que uma pessoa obtém o prêmio da paz interior e satisfaz o anseio da alma por seu Criador.

Informações resumidas por Jussara Rodrigues, extraídas dos livros:

A Tradição do Yoga – Georg Feuerstein
A Luz da Ioga – B.K.S. Iyengar
Uma Visão Ayurvédica da Mente – Dr. David Frawley
Apostila de formação de Instrutores do Aruna  Power Yoga – Anderson Allegro

SOBE